Projeto Atitude Verde e Consciente2025 é lançado em Anita Garibaldi
Dez anos depois, o relato de quem renasceu após tentar suicídio

Hoje é o dia para voltar a ver a beleza de viver
"A tatuagem ponto e vírgula representa continuidade. Esqueça o ponto final, vamos escrever novas histórias... #nãoaosuicidío #Fénavida" (Gil Karlos Ferri)
Era junho de 2007, Gil Karlos Ferri tinha 15 anos, bom filho, amigo querido e aluno dedicado. Em meio aos adjetivos, uma tristeza profunda se abateu sobre o filho de Gildaci e Claudete, morador da cidade de Anita Garibaldi.
"Durante um mês passei a perder a esperança, achando que nada valia a pena, que já tinha vivido tudo e que a vida não tinha mais graça. Me isolei da família, dos amigos e não me alimentava direito", descreve as sensações o anitense. Segundo ele, havia picos de alegria em meio à tristeza. "Nesse um mês eu vivi um isolamento depressivo, mas tinha picos de euforia. Ao mesmo tempo em que estava muito triste, às vezes amanhecia num dia rapidamente feliz".
A família logo percebeu a mudança, e buscou tratamento para Gil, que passou a receber atendimento para início de depressão. "Mas logo tentei suicídio e a ajuda profissional foi intensificada, com atendimento em psiquiatra e psicóloga. O apoio da família, dos amigos, da escola e a fé, através do amadurecimento espiritual, foram tudo, então eu comecei a voltar a ver o quanto a vida era legal, que o que parecia não ter graça era justamente o que dá graça à vida", comenta.
De acordo com ele, a tentativa de suicídio em mulheres é mais branda e os homens buscam formas mais severas. "No meu caso foi com facada e enforcamento. O suicida tem várias maneiras de chamar atenção, com ameaças do ato. No meu caso eu fui direto, mas uma pessoa muito especial me encontrou, conversou comigo e me convenceu a voltar para casa, pois muitos estavam me procurando", recorda o jovem, destacando que há duas opções quando se chega a esse ponto: tentar fazer novamente ou buscar se recuperar. "Eu escolhi a segunda opção, e resgatei a minha vida."
A partir daquele momento de ápice de tristeza, Gil começou a reagir positivamente. Ao mesmo tempo em que rapidamente se abateu, a melhora mostrou-se rápida. "Fiz dois anos de terapia com a psicóloga e atualmente tenho acompanhamento anual com o psiquiatra", explica.
Ele concluiu o Ensino Médio, e em 2009 iniciou o curso de História, mudou-se para Florianópolis para estudar na UFSC e atualmente cursa mestrado em História Ambiental pela UFFS. O aluno que recebeu fundamental apoio da escola em que estudava na época, a E.E.B. Padre Antônio Vieira, hoje é professor da instituição, sendo sempre muito elogiado pelos colegas de trabalho e alunos.
Dez anos passados do choque para a família e todos que conheciam Gil, ele descreve como um renascimento. "Essa vitória sobre si próprio mostra que nada mais me abala, eu resgatei a esperança na vida, tudo faz sentido. Gosto muito da citação do livro Iracema, de José de Alencar, onde ele diz: 'Tudo passa sobre a terra....', pois me representa sobre como passei a pensar. Nunca tive tabu em relatar esse fato que aconteceu comigo, para que eu possa ajudar as pessoas a superar essa situação", comenta emocionado.
Perguntado sobre o que diria às pessoas que estão passando por momentos difíceis, em que a tristeza se sobressai a tudo, Gil deixa uma mensagem de otimismo: "Diria que encontre alguma paixão, como por exemplo, no momento a minha paixão é a pesquisa histórica. As paixões movem o mundo e nos fazem ver o quanto nossa vida faz sentido e o quanto somos importantes e amados nesse mundo. Eu reencontrei a felicidade, voltei à vida, somente Deus decidirá qual será o momento em que deixarei de viver, não eu", conclui com sorriso no rosto e com os olhos com lágrimas de quem voltou a ter esperança na vida: Gil Karlos Ferri.
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